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  • Foto do escritorCristiane Nunes

Resenha do livro: Circe - feiticeira, bruxa, entre o castigo dos deuses e o amor dos homens.

“Nem todos os deuses precisam ser iguais.”, disse Prometeu a Circe. Estou lendo o livro Circe e amando.


Confesso que é um tapa na cara atrás do outro, porque diz muito sobre o resgate do próprio poder pessoal. E cada uma tem o seu. A gente só precisa ter consciência qual é o nosso.


O livro conta a trajetória de Circe, filha de Hélio (deus do Sol), que não herdou nenhuma habilidade de seu pai, nem a beleza de sua mãe ninfa. Narrado em primeira pessoa e com participação de várias figuras mitológicas, a história fica ainda mais interessante – e tudo bem se não entender nada de mitologia, mas talvez fique beeem interessada depois.


Totalmente deslocada, incompreendida e sempre sendo piada de outros deuses – o que reforçava ainda mais a sua baixa autoestima – Circe nunca acreditou em si e que poderia ter algum poder. Vivia fazendo comparações com outros deuses e focando naquilo que não tinha ou melhor: naquilo que acreditava não ter.


“Toda minha vida tinha sido lama e profundezas, mas eu não era uma parte dessa água escura. Eu era uma criatura dentro dela.”

Mas quando é enviada para uma ilha em exílio, ela descobre a si mesma e seu poder de feitiçaria “com um pendor para transformação”.


Da mesma forma que poder pessoal e autoconhecimento não podem ser dados por outra pessoa, bruxaria é a mesma coisa como cita o próprio livro: “Feitiçaria não pode ser ensinada. Você a encontra por si ou não encontra.”


Você pode até se inspirar em alguém, mas o esforço vem de você mesma. Ao estar sozinha na ilha e em contato com ela mesma, Circe vai ganhando consciência de si. Quando alguns já percebiam o potencial que havia nela – afinal, ela foi banida por Zeus, deus supremo do Olimpo, que enxergeou nela uma ameaça – ela ainda não se percebia. Demorou em acreditar na sua capacidade e atribuía seu poder às flores do feitiço, nunca a si mesma por saber manejar e intencionar.

“Magia deve ser feita, trabalhada, planejada, procurada, planejada e procurada, desenterrada, secada, fatiada e moída, cozinhada, encantada e cantada. Mesmo após tudo isso, pode falhar, ao contrário dos deuses. Se minha atenção vacilar, se minha vontade for fraca...”

Fazia algum tempo que eu não lia ficção e tem sido uma delícia para mim, e ao mesmo tempo um puxão de orelha. Escrito por Madeline Miller, a história de Circe é uma inspiração para acreditar mais em você mesma e descobrir a sua própria magia.







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